sábado, 18 de junho de 2011

Depois de quatro anos, o CPM 22 lança disco com material inédito

O mundo dá voltas. E os rapazes paulistas do CPM 22 estão com disco novo após um período tempestuoso que começou em 2007, quando desfizeram o contrato com o selo Arsenal Music (do produtor Rick Bonadio), ligado à multinacional Universal Music; e romperam com um dos integrantes do grupo, o guitarrista Wally.

Por isso, o novo e independente álbum - o primeiro de inéditas em quatro anos - tem o sugestivo nome de Depois de um Longo Inverno. De certa forma, impulsiona a banda a dar um giro em torno do próprio eixo.


Depois de quatro anos, o CPM 22 lança disco com material inédito

Com produção de Luciano Garcia e Fernando Sanchez, respectivamente o guitarrista e o baixista do CPM 22, o trabalho apresenta uma banda renovada, influenciada pelo punk rock e, sobretudo, pelo ska (ritmo jamaicano), com referências de bandas ícones como Rancid, Skatalites, Specials e The Clash.
Vida ou Morte “Estamos mais conscientes do que somos e queremos dentro da música. Fizemos um disco com uma sonoridade um pouco diferente, mas dentro das nossas influências, que é basicamente o punk rock”, explica Badauí, 35 anos, vocalista da banda de hardcore melódico que está completando 15 anos.

As composições também estão um pouco diferentes e ganharam letras com mais teor social e motivacional. Inclusive, Vida ou Morte, canção de trabalho do disco, parece se referir ao momento de recomeço da própria banda quando diz: “Propostas modernas/ Superação em mente/ Batidas concretas/ E a velha identidade só pra manter/ Sem medo vamos prosseguir/ Agora é pra valer/ Estamos em guerra/Em mais uma missão de vida ou morte”.

Badauí confirma a suspeita: “Quando você enfrenta uma fase ruim na vida, depois que ela passa, a tendência é fazer coisas ainda mais positivas e motivadoras. Somos uma banda que carrega a esperança e positividade no peito. Quanto ao contexto social, já tínhamos feito isso no Cidade Cinza (2007), estamos mais velhos e conscientes sobre a vida”. Aliás, o elogiado Cidade Cinza ganhou o Grammy Latino de melhor álbum de rock no ano de 2008.

Naturalmente, a nova fase tem atraido outras coisas boas. Além da recepção dos fãs, que, segundo o cantor, superou a expectativa, a banda foi convidada para tocar no Rock in Rio 2011, que acontece em setembro. No entanto, o CPM 22 não aceitou o convite para evitar um show no dia dedicado ao heavy metal, cujo público é, reconhecidamente, pouco tolerante com outros gêneros do rock.

Rompimento
Mas, se agora eles estão novamente na mídia, ao longo dos últimos quatro anos eles estiveram distante das rádios. O tempo virou para a banda quando, em 2007, insatisfeitos com o posicionamento da gravadora, quiseram romper com o selo Arsenal, da Universal, mas o contrato não permitia.
Logo em seguida, o guitarrista Wally saiu da banda de maneira conturbada por conta de problemas de comportamento, o que prejudicou ainda mais os planos de voltar ao estúdio.

“Ele fez parte dos problemas que enfrentamos. O Wally não estava mais afim de tocar esse tipo de som e só estava atrapalhando. Agora estamos mais unidos e felizes fazendo o que a gente acredita. Nós quatro amamos o punk rock”, afirma Badauí.

Durante esse afastamento dos estúdios e da pouca repercussão na imprensa, porém, o CPM 22 não parou de tocar, fazendo shows no Brasil e até em outros países. “Não teve pausa nenhuma. Estávamos fazendo shows mas sem divulgação na mídia. No Brasil é assim, a maioria do povo só consome coisas mastigadas e superficiais, se não tiver na mídia parece que não tem valor nenhum”, reflete.

Bahia Durante esse período, porém, a banda não se apresentou em Salvador, onde já fez shows importantes no Festival de Verão e na Concha Acústica do Teatro Castro Alves. “Nossa relação com a Bahia é sensacional! Fizemos shows memoráveis, principalmente aí, em Salvador, inclusive esse da Concha com a banda Vivendo do Ócio que é muito boa”, lembra o vocalista.

Por isso, vontade de voltar à capital baiana é o que não falta ao CPM 22. “Sabemos que tem um público grande aí que curte rock’n’roll e sei que não é fácil pela cultura da axé music e do samba que predomina não só na Bahia, mas em todo o Brasil. Os roqueiros daí são grandes guerreiros!”, encerra Badauí.´


Fonte:Correio da Bahia

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