quinta-feira, 9 de junho de 2011

Qualquer Gato Vira-Lata: Malvino Salvador e Cleo Pires são destaques de comédia


A peça que serviu de inspiração para o filme levou mais de um milhão de espectadores aos teatros. Na tela, dois símbolos sexuais da televisão brasileira – Malvino Salvador e Cleo Pires – protagonizam a trama, que conta ainda com um garotão de corpo sarado, Dudu Azevedo, na formação do triângulo amoroso.

Para completar, a estreia nacional da comédia romântica Qualquer Gato Vira-Lata, do diretor estreante Tomas Portella, acontece amanhã, dois dias antes do Dia dos Namorados. Os produtores não dormiram no ponto.


Filmado no Rio, Qualquer Gato Vira-Lata, do diretor Tomas Portella, traz Malvino Salvador e Cleo Pires às voltas com os embates do amor

O filme é baseado na comédia teatral Qualquer Gato Vira-Lata Tem uma Vida Sexual Mais Sadia Que a Nossa, de Juca de Oliveira. A transposição para as telas teve o nome encurtado para facilitar a leitura e tirar o apelo sexual. A classificação indicativa é de 12 anos, apesar da presença de diálogos mais picantes em alguns momentos.

Leões e araras
No filme, Cleo Pires, 28 anos, dá vida à personagem Tati, uma estudante insegura e apaixonada, que namora o infiel Marcelo, vivido por Dudu Azevedo, 33. Cleo, ou melhor, Tati, é daquelas namoradas bem grudentas e desmorona a cada sinal de desinteresse ou de traição dado pelo namorado. Mesmo com todas as evidências de que é traída, ainda persegue Dudu.

As coisas começam a mudar quando, por conta do destino, ela cai de paraquedas na palestra do professor de biologia Conrado, papel de Malvino Salvador, 35. Ela se revolta com algumas comparações que o pesquisador faz entre o comportamento dos humanos e o de animais de outras espécies.

Conrado, por exemplo, exalta a performance do leão, que pode acasalar repetidas vezes com leoas diferentes ao longo do dia. “As mulheres ligam demais”, critica Conrado. A poligamia, para ele, é a tônica do universo. Poucas espécies – a humana não incluída – seriam como as araras, que se mantêm monogâmicas mesmo após a morte do par. E é a mulher a responsável pelo desastre das relações humanas, acredita o pesquisador.

Joguinhos
Curiosa para entender mais sobre o processo que leva casais à paixão, Tati se oferece para ser objeto de estudo de Conrado. Ele passa, então, a oferecer conselhos à pupila sobre como fazer Dudu comer em sua mão. A história guarda certas semelhanças com comédias românticas americanas como A Verdade Nua e Crua e Ele Não Está Tão a Fim de Você, ambos de 2009.


Dudu Azevedo é o namorado galinha da personagem da bela Cleo Pires

As falas do professor soam como bombas antipaixão nos ouvidos das mais românticas. “Se você demonstra logo os seus sentimentos, você perde o cara”, afirma. Depois, emenda com “o interesse dele é proporcional à indiferença que você demonstra”.

Outra teoria defendida é a dos nove toques. Segundo a ideia, a mulher – ou homem – deve deixar o celular tocar nove vezes antes que o pretendente seja atendido. Qualquer resposta antes disso seria sinal de interesse e ponto de partida para a relação fracassar.

Los Angeles
Protagonista do filme, Cleo Pires diz ter ficado completamente satisfeita com a produção. “Essa foi minha primeira comédia romântica. Gosto de sair da zona de conforto, só sei viver dessa forma”, afirma. Apesar de se mostrar bem mais segura que o papel que interpreta no filme, Cleo consegue reconhecer alguns pontos similares com a personalidade de Tati.

“Ela sofre uma transformação no filme, e transformações são recorrentes na minha vida, não só no amor”, afirma. Para a atriz, a preocupação com a possível infidelidade do parceiro é secundária em uma relação sadia. “Quando a troca alimenta, não sobra espaço para essas coisas”, diz. A atriz namora o roteirista João Vicente de Castro, da equipe do programa Caldeirão do Huck. Há quanto tempo eles namoram? Pausa. “Humm ... dois anos?”, diz.

Cleo conta que sugeriu alterações na personagem ao longo das gravações. “Em alguns momentos, havia uma mudança um pouco brusca nos sentimentos dela. Busquei uma coisa mais orgânica”, diz. Ela acrescenta que gostou tanto de filmar com Portella que pediu – e conseguiu – um papel em B.O, próximo filme do diretor. A história policial, em fase de captação, deve ser rodada em 2012.

A atriz desmente notícias nas quais teria dito que não se interessa pela carreira internacional. “Nunca disse isso. Amo o que faço, um bom projeto pode me levar para a China, para qualquer lugar”, afirma. Nas próximas semanas, a atriz deve embarcar para Los Angeles, nos Estados Unidos, onde pretende passar um mês estudando interpretação.

Sem comentários
Autor da peça, o ator e dramaturgo Juca de Oliveira, 75, já viu a versão final do filme e aprovou. “Isso é raro. Os autores nem sempre gostam dos roteiros dos filmes. Mas a essência do espetáculo foi mantida”, afirma. A peça estreou em 1998, em São Paulo, tendo a atriz Rita Guedes no papel de Tati. No filme, Rita vive a namorada do professor.

As diferenças psicológicas com o personagem chamaram a atenção de Malvino Salvador. “Ele (Conrado) é mais tímido. Acho que isso é o legal de ser ator, buscar o que está escondido em si para compor a interpretação”, observa o ator, que começou a gravar esta semana as primeiras cenas de Fina Estampa, próxima novela das nove da TV Globo.

Para Malvino, o filme consegue cumprir o objetivo: ser uma comédia leve, mas que eventualmente consiga provocar reflexões nos espectadores sobre o que é o amor e como lidar com ele.

Sobre a vida pessoal, Malvino prefere não falar e evita comentários sobre a relação com a atriz Sophie Charlotte. Sobre o amor, é categórico: não há regras. “Cada relacionamento é único”, diz. E será que existem araras, ou seja, pessoas que são monogamicamente felizes? “Claro! Existe tudo, até quem só consegue ser feliz sofrendo”, acredita. Um alívio para as Tatis de plantão.

Confira trailer do filme Qualquer Gato Vira-Lata:

Estreante, diretor já cursou Física
Em sua primeira vez como diretor de um filme, Tomas Portella, 32 anos, acredita ter conseguido um belo desempenho. “Fiquei muito contente com o resultado, ainda mais depois que vi o pessoal rindo na pré-estreia (no dia 30 de maio, em São Paulo)”, afirma o diretor. A vontade de trabalhar com cinema sempre rondou Tomas.

Logo que saiu do colégio, ele começou a graduação em Física, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Mas não concluiu o curso, pois achava tudo muito solitário. Pulou então para o curso de Cinema, mas também não sentiu identificação. “Achava o pessoal sem interesse, sem postura”, afirma. Seis meses depois do início das aulas, largou tudo mais uma vez. Partiu então para o mercado de trabalho. Começou por baixo, como estagiário de produção.

O primeiro grande filme do currículo de Tomas foi Lisbela e o Prisioneiro, de 2003, no qual foi assistente do diretor Guel Arraes. Os últimos trabalhos incluem Meu Nome Não É Johnny – onde conheceu Cleo Pires –, O Incrível Hulk e Ensaio Sobre a Cegueira, adaptação de Fernando Meirelles para a obra homônima de José Saramago (1922 – 2010).

Convidado pelos produtores de Qualquer Gato Vira-Lata, Portella acabou sugerindo algumas alterações no roteiro. A maior mudança foi feita no final do filme – que não revelaremos para não estragar a surpresa de ninguém.
Defensor de comédias românticas, Portella acredita que muita gente ainda torce o nariz para o gênero. “No Brasil, ainda existe um certo preconceito com quem não faz filmes politicamente engajados”, afirma.

Para o diretor, o preconceito parte de certos setores da crítica e de pesquisadores do cinema nacional, e não do público. Prova disso, segundo ele, é o sucesso de filmes hollywoodianos que mesclam amor e risadas aqui no Brasil.


Fonte:Correio da Bahia
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