sábado, 4 de junho de 2011

Secretário da SSP revela detalhes da prisão de Fal e agora vai atrás de Elias

Foto: Arisson Marinho/arquivo correio

Entrevista com Maurício Barbosa: todos olhos no Nordeste

Bruno Menezes | Redação CORREIO
bruno.menezes@redebahia.com.br

Há quatro meses à frente de uma das mais criticadas pastas do governo, o secretário da Segurança Pública, Maurício Barbosa, ganhou fama de mau, mas só para os bandidos. Afinal, durante o pouco tempo em que vem comandando o órgão, o número de presos já ultrapassou as estatísticas dos últimos dois anos somados.

Com a prisão de Fal, a desarticulação da conexão entre CP e PCC - relação que ele já havia apontado em entrevista ao CORREIO em janeiro - e o sucesso do baralho da Secretaria, o delegado ratifica as promessas que fez quando assumiu a pasta e se diz orgulhoso de ter tirado do papel o projeto das Bases Comunitárias. A primeira já foi implantada no Calabar e a próxima será no Nordeste de Amaralina.

Em entrevista exclusiva ao CORREIO na tarde de ontem, em seu gabinete, o secretário destacou, além dos detalhes da próxima base, os bastidores da prisão de Fal. “Ele chegava a movimentar R$ 4 milhões só com a venda de drogas todos os meses”, afirma.

A prisão de Fal acontece no mesmo momento em que a polícia se organiza para implantar a segunda Base Comunitária de Segurança. Será no Nordeste? Como vai ser essa ocupação?
Dividimos o Nordeste em três grandes áreas: o próprio Nordeste, Santa Cruz e a região que pega a Chapada do Rio Vermelho. Serão três bases, na verdade, totalizando 350 policiais que terão suas atividades voltadas exclusivamente para aquela região. E é de lá que vem o novo Ás de Ouro: o traficante conhecido como Elias. É nossa prioridade.

E as outras bases programadas para este ano, como Tancredo Neves e no Subúrbio?
Essas terão que esperar mais um pouco. No nosso planejamento, teríamos as duas ainda este ano. Mas, com a complexidade que é o Nordeste, teremos que usar o planejado para essas duas áreas para fazer o projeto dar certo em Amaralina. Após a formação dos 3.500 PMs convocados esta semana, poderemos planejar as ocupações em Tancredo Neves e Subúrbio Ferroviário.

Voltando à prisão de Fal, quanto ele movimentava? Como ele agia de fato?
Ele estava se preparando para se tornar o Beira Mar da Bahia, atuando como fornecedor da droga que a própria quadrilha vende. Temos informações, que ainda não são definitivas, de que ele entrava no estado com pelo menos 200 quilogramas de cocaína por mês. Se cada quilo é vendido a, em média, R$ 20 mil, especulamos que ele movimente pelo menos R$ 4 milhões por mês. Isso com auxílio de laranjas e de outras pessoas que emprestam contas bancárias, sob o álibi de que foram obrigadas. As contas identificadas foram bloqueadas, assim como imóveis e veículos.

E por que fazer um baralho com as fotos dos bandidos procurados?
A ideia é reforçar o Disque-Denúncia (3235-0000) e familiarizar as pessoas com esses rostos. Além de alertar aos próprios criminosos de que eles são a bola da vez. Era para ter só os líderes, mas esses que estão nas cartas são a nossa prioridade agora. E o Elias, nosso novo Ás de Ouro (ele era o Rei de Ouro, na primeira edição do baralho) é nosso novo grande alvo. Nesse baralho, temos pelo menos 25 traficantes que ocupam o 2º e o 3º escalão nas quadrilhas.

Fal, ao ser preso, relatou o envolvimento de policiais em suas atividades criminosas. Há provas? Quantos são esses policiais? O senhor já sabe quem são eles?
Ele nos deu nomes e contou diversas histórias de policiais militares e civis que o extorquiram para que ele não fosse preso. E de outros que tinham envolvimento direto com a quadrilha. Essa é a nova fase da operação, que vai desmembrar em outras investigações assuntos que precisam ser explorados. O fortalecimento da Corregedoria e a punição desses maus agentes também são ponto de orgulho destes quatro meses de gestão. De janeiro até agora, mais de 30 policiais foram presos.

E como é essa ligação entre a Comissão da Paz e o PCC?
É uma conexão antiga, com ligações diretas com a venda de drogas e, principalmente, no fornecimento de cocaína para o estado da Bahia. Um exemplo disso é que Fal encontrou apoio para ficar escondido em São Paulo, com os atacadistas deles. Outro exemplo é a presa Rosângela de Souza Pinto. Ela é um dos principais elos entre as facções e chegou a dar ordens, por exemplo, para que acabassem disputas entre bandidos rivais no Complexo Penitenciário de Salvador. A disputa estava atrapalhando os negócios do PCC e ela, que fornece para três quadrilhas de Salvador, foi quem determinou a paz entre os bandidos. Mas, agora, esse mal foi ‘descartado’.

E os próximos passos?
Precisamos agora focar em quem está por trás da quadrilha, dando apoio logístico, e no tráfico rasteiro, que é quem promove as disputas, que cobram dívidas e fazem os usuários pagarem com a vida e que dividem os bairros e tiram a liberdade dos moradores, por conta das disputas por pontos de venda. Além de, claro, continuar a estruturação das polícias e o combate aos crimes contra a vida.

O que de mais relevante o senhor acha que já conseguiu fazer nestes quatro meses?
Sem dúvida, o que me deixa com mais orgulho é a Base Comunitária. Vi no rosto das pessoas o sorriso de quem voltou a ser dono da sua casa, do seu espaço. De quem voltou a poder caminhar, circular em paz. Mas, também destaco os avanços das corregedorias e o novo Departamento de Homicídios e de Proteção à Vida.

Na entrada do seu gabinete, há uma imagem de Nossa Senhora e um quadro com a Lição dos Gansos, que voam em V para diminuir a resistência do ar e facilitar o voo do grupo. Essa é a nova filosofia da segurança?
Sem dúvida. Isso é para mostrar que somos um grupo e que todos, sem exceção, somos responsáveis pelo projeto que estamos implementando.


Fonte:Correio da Bahia

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